ESTADO LAICO5

Democracia só existe com Laicidade

“Bancada Cristã” avança no Congresso enquanto partidos progressistas esquecem movimentos sociais e cortejam lideranças religiosas.
Resistência cresce, mas espaço cívico está ameaçado. Feministas alertam:
sem Estado laico, não há democracia real

Como a cena política mudou, em quatro semanas. O esforço dos EUA para manter, por meios violentos, uma hegemonia em crise. Ilusão e isolamento da ultradireita. Por que Lula não pode recuar. O que aprendemos sobre “correlação de forças”

 

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Título original:
A correlação de forças políticas está mudando!

O governo Lula, até há algumas semanas, vinha pautando a sua ação política exclusivamente no processo de negociação com o Parlamento, em uma estratégia de “redução de danos” – preso à crença da existência de uma “correlação de forças” desfavorável irremovível, expressa essencialmente na composição do Congresso Nacional com folgada maioria de parlamentares de direita e extrema direita. Os resultados obtidos com essa estratégia foram repetidas derrotas acachapantes, inclusive com o apoio de parte de suas base (Partidos de direita e centro-direita fisiológicos), apesar de todas as concessões feitas a deputados e senadores, em particular ao “Centrão” com suas emendas parlamentares secretas (com sujeitos, objetos e destinos clandestinos).

Como se sabe, a “correlação de forças” é, de fato, uma variável essencial na análise da conjuntura e um ponto de partida para decisões que serão tomadas pelos sujeitos políticos. No entanto, ela não pode ser vista e interpretada como uma fotografia; ela tem que ser observada e compreendida como um filme, um processo dinâmico que pode reafirmá-la e sancioná-la tal como se apresenta em um determinado momento ou, em sentido contrário, modificá-la – inaugurando-se uma outra situação política.

Portanto, se a “correlação de forças políticas” é desfavorável, os sujeitos fragilizados por essa situação têm que atuar ativamente para modificá-la e não simplesmente aceitá-la e, o que é pior ainda, transformá-la em um mantra para justificar suas derrotas e inação política. No entanto, esse foi o comportamento do governo Lula e das forças hegemônicas no interior do Partido dos Trabalhadores, embasados em um equívoco que vai além de considerá-la como uma fotografia, qual seja: para suas análises e ações políticas, a “correlação de forças” foi observada e analisada apenas a partir da realidade institucional, restrita às relações entre os três poderes. Mas nessa instância, fechada em si mesma, a composição do Congresso Nacional e o comportamento de seus integrantes só se alteram, quando se alteram, de quatro em quatro anos.

O resultado desse equívoco não poderia ser outro: a quase inviabilidade de Lula governar, tendo em vista o empoderamento institucional do Parlamento ocorrido a partir do Golpe Neoliberal-Neofascista de 2016 e o início do governo Temer. O antigo “Presidencialismo de Coalizão”, pautado em negociações entre o executivo e o legislativo, mas com forte iniciativa do primeiro, foi substituído pelas ações e força do segundo (com destaques para a criação do Fundo Eleitoral em 2017 e a Emenda de Relator, leia-se “orçamento secreto”, em 2019). Com isso, O orçamento público, já desidratado pelo pagamento da dívida pública (juros) ao capital financeiro (viabilizado pelo ajuste fiscal permanente instituído pelo “Teto de Gastos” e, depois, pelo chamado “Novo Arcabouço Fiscal”), passou a ser abocanhado em fatias crescentes pelo Parlamento, leia-se o Centrão e suas adjacências. Isso ocorreu de tal forma que a ocupação de cargos no executivo, sempre utilizada no processo de negociação para garantir a governabilidade, perdeu importância para deputados e senadores. O que os deixou ainda mais ousados nas suas relações com o governo.

De derrota em derrota o governo Lula, até três semanas atrás, estava emparedado, nas cordas, inclusive com a campanha para Presidente da República de 2026 já antecipada, para alegria e satisfação da direita neoliberal e a extrema direita neofascista. Situação expressa nas redes sociais e na grande mídia corporativa. Entretanto, eis que, inesperadamente e para surpresa da grande maioria, a conjuntura (a correlação de forças) rapidamente começou a mudar. No mundo dominado pelas tecnologias de informação e comunicação (TICs), o tempo em geral, e o tempo político em particular, acelerou-se; com isso, os eventos, as mudanças e reviravoltas ocorrem muito rapidamente.

A partir da derrota do decreto do governo que aumentava a alíquota do IOF, e da dificuldade em encaminhar a aprovação da taxação dos ricos e da isenção do Imposto de Renda para os que ganham até cinco mil reais por mês, o governo Lula e seus apoiadores (dentro e fora do PT) mudaram de atitude: deslocaram suas ações para fora do Parlamento, passando a atuar agressivamente nas redes sociais e na sociedade, levantando bandeiras históricas das esquerdas: o combate à desigualdade (taxação dos ricos) e a favor da redução da jornada de trabalho (fim da escala 6/1). Isso colocou na defensiva um Congresso majoritariamente neoliberal-neofascista, defensor da concessão de benefícios crescentes e sistemáticos para os “ricos” e contrário a toda e qualquer iniciativa favorável aos “pobres”. Com essa mudança de comportamento, a luta de classes, como há tempos não se via, explicitou-se, para o desespero da “Faria Lima”, de seus prepostos-economistas e da mídia corporativa.

Esse novo comportamento político incomodou profundamente deputados e senadores do Centrão, o mercado financeiro e a mídia corporativa; com esta última tentando, sem sucesso, igualar as ações de denúncia política das esquerdas nas redes sociais à forma de atuar da extrema direita neofascista (baseada em fake news, baixarias de todo tipo e desconstrução de indivíduos e biografias). O Jornal Nacional da Globo gastou quase sete minutos tentando criminalizar a militância digital das esquerdas. Adicionalmente, quando mal tinham assimilado essa nova situação, a direita neoliberal e a extrema direita neofascista se viram às voltas com os ataques de Trump à economia brasileira e à soberania do país. A primeira tem vínculos históricos com o imperialismo, não pôde defender e justificar esses ataques; a segunda, enrolada até o pescoço com as agressões do governo dos EUA (inclusive fomentando-os e apoiando-os abertamente), foi nocauteada, esfacelando-se internamente com disputas acerca da proposta de anistia e o seu vínculo com o tarifaço de 50% decretado por Trump contra os produtos brasileiros(a vigorar a partir do mês de agosto).

A reação do governo Lula, em sentido contrário, foi imediata, saindo em defesa da soberania nacional e da produção e dos empregos no Brasil. E o mais importante, as ações contra o imperialismo e a truculência de Trump (“taxei o Brasil porque posso”) difundiram-se imediatamente pelas redes sociais e em alguns atos públicos. O Congresso, por sua vez, veio a reboque, com os presidentes da Câmara e do Senado, inicialmente mudos, tendo que apoiar o discurso político do governo Lula e das esquerdas. O governador de São Paulo, supostamente um “bolsonarista moderado” e a principal aposta da direita neoliberal e seus prepostos para a eleição presidencial de 2026, se desmoralizou, sendo rejeitado pelo bolsonarismo, chamado às falas pelos capitalistas (com destaque para o agronegócio e os industriais de São Paulo) e pela mídia corporativa (vide os diversos editoriais publicados pelos grandes jornais). A família Bolsonaro, o bolsonarismo e, em particular, Tarcísio de Freitas foram, até aqui, os maiores derrotados.

Mas, não se pode perder de vista a necessidade de se responder a pergunta fundamental da conjuntura: quais são os objetivos de Trump com a ameaça de implementar o tarifaço e condicionar a sua retirada à suspensão da ação do STF contra Bolsonaro? Na verdade, os seus objetivos são, ao mesmo tempo, econômicos e políticos, conjunturais mas também estratégicos, que rementem a dimensões estruturais e à geopolítica mundial.

Antes de tudo, deve-se reconhecer que os EUA são uma potência em descenso, como aconteceu com a Inglaterra na primeira metade do século passado. A sua antiga hegemonia reduziu-se, fundamentalmente, à dimensão militar. Do ponto de vista econômico e tecnológico a China caminha a passos largos para superá-lo e essa é uma situação distinta da ocorrida nos anos 1970, quando Alemanha e Japão o desafiaram mas acabaram sendo enquadrados – coisa que não poderá acontecer na relação China-EUA. Na esfera política e moral o país está cada vez mais desmoralizado com tudo o que Trump vem fazendo contra a “maior democracia do mundo”, além da desconsideração de todo e qualquer tipo de fórum e instância internacional. O apoio e financiamento do genocídio praticado por Israel em Gaza, o comportamento errático com relação à guerra da Ucrânia com a Rússia e o negacionismo climático são exemplos de seu isolamento político internacional. Os EUA, hoje, são um país em guerra com o mundo, até mesmo contra seus antigos e serviçais aliados, europeus e asiáticos. O trumpismo e sua política expressam a decadência e, ao mesmo tempo, contribuem decisivamente para acelerá-la.

Dito isso, a questão central para os EUA é, por um lado, a sua disputa com a China pela hegemonia mundial, nas suas mais variadas dimensões. Isso se expressa na rejeição e ataque aos BRICS e à crescente possibilidade de substituição do dólar como moeda nas transações internacionais; na defesa das big techs dos EUA e de sua total liberdade de atuação (sem regulação); nas disputas comerciais, tecnológicas e ambientais generalizadas, e na tentativa de chantagear países que têm negociação comercial com a Rússia – tudo isso a partir do exercício de um unilateralismo explícito, na base da ameaça, da truculência e da violência. É o imperialismo aberto, sem máscara, ao contrário de outros tempos, quando o soft power desempenhava um papel importante,.

Por outro lado, do ponto de vista político, as ações de Trump têm por objetivo aglutinar e empoderar a extrema direita neofascista mundial em torno da liderança dos EUA e, no caso imediato do Brasil, fragilizar as instituições democráticas e interferir na eleição presidencial do ano que vem.

Em suma a conjuntura política está mudando, externa e internamente. A disputa com o Brasil deve ser observada e entendida como parte desse contexto mais geral, que não envolve apenas o Brasil. O país, diga-se de passagem, tem déficit comercial com os EUA há mais de uma década. Portanto, não há qualquer justificativa no âmbito do comércio internacional que explique a tarifa de 50% que, na verdade, é uma sanção política contra a soberania nacional. No entanto, a possibilidade de que o governo ceda a Trump, jogando a soberania do Brasil no lixo, é zero. As respostas imediatas do governo Lula e do STF não deixam margem a dúvidas. E Trump e os EUA sabem disso. Aí surge a insistência do imperialismo em vulnerabilizar a democracia brasileira, em particular o seu poder judiciário na figura do STF, enfraquecer o governo Lula e alavancar alguma candidatura da direita/extrema direita (Bolsonaro, Tarcísio ou qualquer outro) na disputa que ocorrerá em 2026.

A disputa com Trump, muito provavelmente, ainda vai longe e tende a escalar por novas iniciativas e sanções do governo dos EUA contra o Brasil, como foi o caso da anulação dos vistos para entrada nos EUA de oito integrantes do STF. Este, por sua vez, vem se comportando corretamente, não se desviando um milímetro de suas obrigações constitucionais e respondendo à altura às ameaças. O pedido da condenação de Bolsonaro e seus asseclas pela Procuradoria Geral da República (PGR), assim como a recente operação da Polícia Federal que culminou com a decisão de colocar-lhe tornozeleira eletrônica, evidenciaram que as ameaças não surtirão efeito. Ao contrário, acabaram por piorar a situação de Bolsonaro e de sua família, além de colocarem o bolsonarismo no seu pior momento desde o surgimento desse movimento neofascista. Adicionalmente, impulsionaram a unificação da maioria do povo brasileiro em defesa da soberania do país.

No que concerne ao governo Lula e às esquerdas, não pode haver vacilo: cabe manter a nova linha política, privilegiando as ações nas redes sociais e na sociedade, insistindo no confronto com o Congresso Nacional quando necessário, como foi o caso do veto ao aumento do número de deputados aprovado pela Câmara de Deputados (amplamente desaprovado pela população). Qualquer passo atrás, no sentido de voltar à negociação viciada anterior, fragilizará de novo o governo e colocará em risco a possibilidade de sua reeleição. As bandeiras tradicionais das esquerdas (contra a desigualdade e a favor da redução da jornada de trabalho) e, agora, a defesa da soberania brasileira, devem ser a bússola orientadora e o carro-chefe de todo esse processo.

A atual posição defensiva do Congresso evidenciou-se na aprovação, na comissão especial criada pela Câmara de Deputados, do Projeto de Lei do governo que isenta de Imposto de Renda quem ganha até cinco mil reais por mês. Assim como na desistência da Câmara de derrubar o veto de Lula ao aumento do número de deputados. Por outro lado, a aprovação pelo Senado, na calada da noite, de uma nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental desastrosa (para “passar a boiada”), com forte repercussão negativa internacional, assim como a aprovação do Projeto de Lei pela Câmara que destina à renegociação das dívidas do agronegócio parte dos royalties do Pré-Sal (até então, direcionados exclusivamente para educação, saúde e desenvolvimento regional e social), devem ser sumariamente vetados com ampla divulgação popular e, se necessário, levando a questão ao STF.

A decisão de manter abertos os canais de negociação comercial com os EUA (sem nenhuma concessão a Bolsonaro e ao bolsonarismo), na qual teremos todos os argumentos técnicos contra o tarifaço; e, ao mesmo tempo, ameaçar com a possibilidade de retaliação, na mesma proporção, é a linha de conduta acertada anunciada pelo governo Lula. Mas o eventual efeito favorável dessa conduta tem como condição não aceitar qualquer tipo de chantagem do imperialismo e seus aliados internos. Uma observação: a forma de retaliar os EUA não deve, necessariamente, copiar a forma deles, isto é, taxar, de forma generalizada e indiscriminada, as suas exportações para o Brasil. Há de se ter por caminho mais inteligente, identificando caso a caso os produtos com maior ou menor importância nas cadeias produtivas brasileiras, além de focar (e isso é fundamental) também no setor de serviços (Big Techs, Direitos de Propriedade Intelectual e patentes).

Como observou Maquiavel há mais de 500 anos, a “fortuna” (as circunstâncias que não são criadas pelos sujeitos) é um cavalo que pode se mostrar passageiro, cabendo ao Príncipe ter a virtude de entendê-la e cavalgá-la, não deixando passar a oportunidade de direcioná-la a seu favor. Nunca é demais lembrar que, em 2006, na virada do primeiro para o segundo governo, Lula e seus apoiadores mais próximos tiveram a virtude de aproveitar a fortuna que então se configurou, com a forte entrada da China no comércio internacional e o seu impacto favorável nas contas externas brasileiras, atuando no sentido de flexibilizar o tripé macroeconômico herdado do segundo governo FHC (metas de inflação, superávit fiscal primário e câmbio flutuante). Essa decisão, juntamente com outras políticas (sociais e trabalhistas), tirou o governo das cordas (do mensalão) e encaminhou a reeleição de Lula.

Enfim, negociação e luta, concerto e confronto, fazem parte do processo político, cabendo aos sujeitos analisar a pertinência de um ou outro comportamento em cada conjuntura – e isso não pode ser decidido apenas nas instâncias institucionais, isolando-as das pressões populares. Essa é a armadilha proposta, sobretudo, pela direita neoliberal e os seus prepostos, com o objetivo de aprisionar as esquerdas na esfera da “pequena política”. Em sentido contrário, as esquerdas, se querem se manter enquanto tal, devem trazer para o debate nacional e a ação política os grandes temas – que se relacionam às necessárias mudanças estruturais da sociedade e da economia.

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Traição ao Brasil desmascara direita. Defesa da soberania fortalece governo Lula

Canalizar as energias ao objetivo central: Unir o Brasil em defesa da soberania nacional e derrotar os ataques do imperialismo estadunidense contra nossa pátria.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantém o Brasil sob ataque. Depois do tarifaço de 50% anunciado para entrar em vigência em 1º de agosto, ele abriu uma investigação comercial contra o Brasil na qual até o PIX e o comércio da rua 25 de março, da cidade de São Paulo, entram na linha de tiro.

Por sua vez, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte – um fantoche de Trump –, sem base legal alguma ameaçou Brasil, China e Índia de sanções “secundárias”, caso mantenham relações comerciais com a Rússia.

No front jurídico, avança na justiça do estado da Florida o processo movido contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a pedido das empresas Trump Media & Technology Group, ligada ao presidente dos Estados Unidos, e da plataforma de vídeos Rumble.

Na quinta-feira (17), Trump prosseguiu a escalada contra o Brasil, com uma carta aberta a Bolsonaro na qual, com ares de imperador, exige a imediata suspensão do julgamento do STF. O chefe do “núcleo crucial” da organização criminosa do golpe, agradecido, jurou gratidão eterna a Trump. Mas, a alegria do golpista-mor durou pouco. Nesta sexta-feira (18), o STF decidiu por medidas restritivas a Bolsonaro, entre elas, uso de tornezeleira eletrônica, proibição de uso das redes sociais. Também está proibido de se comunicar com diplomatas estrangeiros e com o filho Eduardo que conspira contra o Brasil nos EUA.

A resposta do Poder Executivo, sob o governo Lula, do Poder Judiciário, a partir do STF, tem sido de firme de rechaço a Trump. Nesta quarta-feira (16), os presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB), ao lado do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, também saíram em defesa da soberania nacional.

Na segunda-feira (14), as alegações da Procuradoria Geral da República que pedem a condenação Bolsonaro e demais membros do “núcleo crucial” da organização criminosa que planejou e executou uma tentativa de golpe de Estado para derrubar a democracia e impor regime ditatorial, demonstraram a altivez do Estado brasileiro às chantagens de Trump. Bolsonaro pode ser condenado a mais de 40 anos de prisão.

Em reposta à ofensiva de Trump, cresce a tomada de posição de amplos setores da economia nacional, de empresários a trabalhadores, que repudiam esse ataque pesado de uma potência estrangeira aos interesses nacionais. O governo do presidente Lula, que enfrentava um choque de proporções graves entre Executivo e Legislativo em razão do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), superou as dificuldades e retomou a iniciativa política ao liderar um movimento amplo para unir o Brasil em defesa da economia nacional e dos empregos e repelir energicamente a chantagem de Trump sobre o STF, na busca por livrar Bolsonaro da cadeia.

Já o consórcio da direita/extrema-direita, em especial Bolsonaro e seu clã – mas não só, inclui-se o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas –, ao ter aplaudido o tarifaço de Trump e, mais do que isso, expressar orgulho por ter articulado e urdido o ataque contra o Brasil, como fez o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente de extrema-direita, ficou nu em praça pública, pois foi ao chão a fantasia verde-amarelo que vestia. Se revelaram por inteiro traidores da pátria, como ressaltou o presidente Lula, e presos a Trump pela coleira da subserviência.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse, às escancaras, que as tarifas de Trump são “um empurrãozinho” para a aprovação da “anistia, ampla, geral e irrestrita”. Leia-se: “Livrem meu pai da cadeia e não haverá tarifa”. Tarcísio de Freitas, por sua vez, bateu palmas a Trump e ainda culpou Lula pelo tarifaço, algo sem sentido.

Diante de um gigante coral que não para de crescer, mais e mais vozes se movimentam em defesa do Brasil. O consórcio da direita/extrema-direita foi empurrado à defensiva e vieram à tona divisões, inclusive o tiroteio entre Eduardo Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, que retrata a disputa virulenta sobre qual candidatura deve encabeçar esse campo nas eleições de 2026. O fato é que Tarcísio sai chamuscado desse episódio.

Além do presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckimin atua, reunindo-se com empresários de vários setores, construindo caminhos de negociação com os Estados Unidos e prospectando mercados alternativos.

Cresceu também a performance da base de apoio do governo Lula nas redes sociais e nas ruas. Foi exitosa a manifestação de rua de São Paulo com as palavras de ordem pela taxação do super ricos, “1% contra 99%. O Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Goiânia, que termina no domingo (20), tendo contado inclusive com a presença do presidente Lula, marca o posicionamento combativo da juventude estudantil brasileira em defesa da soberania nacional e contra os ataques do imperialismo estadunidense.

O Plebiscito Popular por um Brasil Mais Justo, organizado por movimentos sociais, centrais sindicais, partidos de esquerda e expressões religiosas progressistas, está em andamento e já ultrapassou mais de meio milhão de votos. O governo obteve vitória importante no STF, com decisão favorável à cobrança do IOF, com algumas mudanças. Já foi aprovado em comissão o projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil e taxação do super ricos.

Todavia, essas boas notícias não apagam a gravidade do momento. Quando o país recebe o ataque contra sua soberania por parte de uma grande potência que tenta reverter seu declínio pela via do extremismo de direita, sob comando de um líder neofacista, não se pode saber até onde vai escalar essa ofensiva. Em nenhum momento se pode subestimar o presente ataque. O presidente Lula tem acertado ao agir com altivez e firmeza em defesa do Brasil e, ao mesmo tempo, adotar uma conduta tática ampla, flexível e sagaz. Tal e qual foi seu pronunciamento em rede nacional de rádio e TV. Há que ficar, claro como a luz do sol, que a razão está com o Brasil.

Cumpre também recompor a base parlamentar de apoio ao governo nas duas casas do Congresso. Construir convergência com o empresariado nacional, inclusive da agroindústria. Impõe-se a mais ampla aliança possível. A aprovação da Lei da Reciprocidade foi uma prova de que a amplitude é necessária e viável. É preciso, com igual a importância, esclarecer e mobilizar o povo, os trabalhadores, intensificar a comunicação e ocupar as ruas.

Diante de um grande confronto, há que haver sagacidade para escolher as batalhas. Evitar refregas secundárias. Tudo que é centrípeto, o que aglutina, o que une as forças democráticas, populares, patrióticas, deve ser valorizado, encaminhado. Já o que o dispersa, o que fragmenta—é um erro tático que não se deve cometer. Nesta frente ampla que vai configurando, sempre há unidade e luta. Não se descarta a luta, mas—neste momento— a ênfase deve ser a unidade.

Canalizar as energias ao objetivo central: Unir o Brasil em defesa da soberania nacional tendo à frente o governo do presidente Lula e derrotar os ataques do imperialismo estadunidense contra nossa pátria.

fonte: https://vermelho.org.br/editoriais/traicao-ao-brasil-desmascara-direita-defesa-da-soberania-fortalece-governo-lula/