No segundo dia (3/2/2026) do Laboratório Feminista para a Sustentação da Vida, que está sendo coordenado pelo CFEMEA e MST (Setor de Gênero do DF/Goiás/Minas Gerais), as mulheres camponesas e trabalhadoras sem terra cumpriram uma agenda de muito trabalho no Centro de Educação Popular e Agroecologia Gabriela Monteiro. Hoje, no terceiro dia (4/2/2026), não foi diferente, além de reunião em comissões, teve inicio a primeira trilha formativa com o tema: Feminismos e a Teoria da Organização na Perspectiva Feminista

 

 Cfemea - 4/2/2026 (atualizado às 20h45)

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As mulheres oriundas dos acampamentos Ana Primavesi, Pepe Mujica, El Shadai, 8 de Março, todos do Distrito Federal e o Keno, de Goiás, além de camponesas do Assentamento Canaã, participaram de várias atividades de chegança e aprofundamento dos laços que as unem. Todas demonstraram muita vontade em participar dos debates e superar as dificuldades de seu dia a dia.

Para muitas, a chegança é uma novidade. Nesse momento as participantes do Laboratório, assim como as facilitadoras e as participantes da coordenação, falam, se quiserem, como estão chegando no Laboratório. A chegança é um exercício de escuta, não é diálogo, não há perguntas. Uma fala e todas escutam.

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 logo laboratorio df2026 baixa resolucao

Em um outro momento, foram apresentados alguns dos instrumentos que elas utilizarão bastante nos próximos dias, quando estiverem nas reuniões de grupos, nas atividades das comissões, nas assembleias e outras formas de organização coletiva. São eles:

Plano de trabalho - PT

O plano de trabalho é um instrumento de planejamento e também facilita o acompanhamento dos resultados, permitindo ajustes sempre que necessário e garantindo que as decisões sejam tomadas com base em critérios claros e objetivos. Em síntese, trata-se de um instrumento que sustenta a autonomia com responsabilidade, tornando a cooperação mais eficiente, consciente e verdadeiramente democrática.

Informe e balanço crítico

Outro instrumento de grande importância é o Informe e Balanço Crítico (IBC). A partir do monitoramento do plano de trabalho, serão elaborados os IBCs, que permitem acompanhar o andamento de cada Comissão, identificando suas dificuldades e facilidades na execução. Esse processo contribui para que nos tornemos pessoas mais objetivas, formadoras de opinião e aptas a oferecer sugestões e resoluções para as questões observadas de forma ponderada em nossas comissões.

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O que é o Informe e Balanço Crítico (IBC)?

O Informe e Balanço Crítico é um tipo de relatório sucinto que ajuda a entender como está o trabalho de cada grupo (ou comissão) dentro da cooperativa. Ele é feito com base no plano de trabalho e mostra o que está dando certo, o que está difícil e o que precisa melhorar.

Com esse instrumento, todas as membras podem acompanhar o andamento das atividades, pensar juntas sobre os problemas e sugerir soluções. Assim, o grupo se torna mais unido, consciente e preparado para tomar decisões com responsabilidade.

Meu Diário

Cada participante recebeu um caderno de capa dura para que possa anotar tudo o que quiser sobre seu dia a dia, pode desenhar, escrever poemas, crônicas etc. sabendo que sempre será dela. Se um dia quiser, poderá mostrar para as companheiras. Se quiser, poderá doar uma poesia ou desenho para a equipe do Livro Memória.

Nos Laboratórios que tiverem condições de acesso a internet e a computadores ou tablets, o Diário é também um instrumento digital existente na Plataforma da ULFA. No caso deste Laboratório, como as participantes são oriundas, em sua maioria, de acampamentos que não têm acesso a internet e a computadores ou tablets, o Cfemea teve que buscar uma alternativa sem uso da internet e sem uso de computadores.

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Assembleia

A Assembleia é a reunião de todas as participantes da Cooperativa (da Associação ou do Coletivo). É o momento mais importante da gestão e organização da Cooperativa. Deve ser preparada com atenção e cuidado para que expresse a horizontalidade, a autogestão, e o respeito à divergência.

Na Assembleia são decididas as questões gerais e mais importantes da Cooperativa. As participantes da Assembleia precisam saber com antecedência o que será debatido e quais as decisões que serão tomadas.

No caso do Laboratório Feminista, as Comissões são a base da Assembleia. É nelas que a Assembleia começa a ser organizada. A Comissão com a qual fica a atribuição de organizar a Assembleia, já sabe do cronograma da Cooperativa e, dessa forma, sabe que a Assembleia será realizada no dia tal e no mês tal. Assim começa a preparar a Assembleia com antecedência, procurando saber das Comissões quais as sugestões de pauta elas têm, quais as decisões que precisam que a Assembleia tome.

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Cooperativa

Por fim, ontem todas as participantes se reuniram para discutir qual Cooperativa (ou empresa autogestionária) desejam organizar e quem participará das Comissões criadas. Foi sugerido que tivessem cinco Comissões.

Depois de um amplo debate, resolveram criar a COOPERATIVA FEMINISTA PARA A SUSTENTABILIDADE que se organizará a partir das seguintes comissões: 1) Comunicação e Memória, 2) Formação e Autocuidado, 3) Logística, 4) Administração e Finanças, 5) Infraestrutura.

A partir desse momento a cooperativa foi criada e organizada.

Todos os dias as Comissões irão se reunir orientadas por uma Pauta preparada pelas participantes, nas primeiras reuniões (se não a primeira reunião) produzirão um Plano de Trabalho que será atualizado e acompanhado até a próxima Assembleia, serão elaborados os Informes com Balanço Crítico e os demais instrumentos.

No encontro dessa quarta-feira (4/2/2026), além da reunião das Comissões, iniciou-se a Trilha Formativa sobre “Feminismos e a Teoria da Organização na Perspectiva Feminista”. Essa Trilha tem como objetivo pensar-sentir, refletir e debater os feminismos, partilhando conhecimentos e experiências entre as ativistas do MST que estão participando do Laboratório Organizacional Feminista, se apropriando de estratégias feministas e criando possibilidades coletivas de sustentação da vida. 

A proposta é fazer uma aproximação ao feminismo crítico/antissistêmico (como o feminismo camponês popular, o feminismo antirracista), sem a pretensão de promover uma abordagem teórica aprofundada, mas sim promover a troca de conhecimentos, vivências e reflexões sobre os feminismos e suas elaborações críticas a respeito da organização das mulheres, da economia feminista e da sustentação da vida. 

A Trilha sobre Feminismos e Teoria da Organização na Perspectiva Feminista foi traçada para ser percorrida durante 3 dias. Os conteúdos serão desenvolvidos em cinco atividades que irão envolver vivências e questões provocadoras a partir de materiais para ler, ver, ouvir e criar.  

 seta rosa

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