Publicado 11/03/2026 às 17:20 - Atualizado 11/03/2026 às 17:23

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Mais um mês de março, mais um mês de luta das mulheres. Contudo, o ano passado registrou recordes de violência contra a mulher, 1.470 feminicídios, o maior registro desde que o crime foi tipificado, em 2015. Uma média de quatro mulheres assassinadas por dia.
A opressão de gênero segue. Segue na jornada dupla ou tripla de trabalho. Segue na internet, com a enxurrada de conteúdos misóginos que circulam, especialmente entre a juventude.
Essa violência que surge entre nós, mulheres, assume contornos muitas vezes silenciosos. Está na rivalidade estimulada pelo mercado de trabalho, que nos transforma em concorrentes em vez de aliadas. Está na cobrança moral sobre como devemos nos comportar, nos vestir ou educar nossos filhos. E está, também, em dinâmicas afetivas que nos colocam umas contra as outras – perpetuando, de maneira consciente ou não, um ciclo cruel.

O surgimento desses padrões é objeto de pesquisa até os dias de hoje. E é o foco da obra O sexo do capitalismo: teorias feministas e a metamorfose pós-moderna do patriarcado, da filósofa Roswitha Scholz.
Outras Palavras e Editora Elefante irão sortear um exemplar de O sexo do capitalismo: teorias feministas e a metamorfose pós-moderna do patriarcado, da filósofa Roswitha Scholz, entre quem apoia nosso jornalismo de profundidade e de perspectiva pós-capitalista. O sorteio estará aberto para inscrições até a segunda-feira do dia 23/3, às 14h. Os membros da rede Outros Quinhentos receberão o formulário de participação via e-mail no boletim enviado para quem contribui. Cadastre-se em nosso Apoia.se para ter acesso!
No escrito, a autora busca demonstrar como, na lógica da sociedade capitalista, essa opressão surge pela desvalorização de atividades tradicionalmente exercidas por elas, como o cuidado com as crianças e os idosos.
Originalmente lançado na primavera de 2000, as teses deste livro mobilizaram conceitos basilares para o marxismo, como “trabalho abstrato” e “valor”, na análise do patriarcado.
O enfoque foi além da produção feminista anterior ao tirar a questão de uma “contradição secundária” e colocando em voga a teoria da dissociação sexual, que abre o olhar e ajuda a compreender a totalidade social ao romper com o universalismo androcêntrico da estrutura dominante.
A teoria do valor-dissociação (em alemão, Wertabspaltungskritik) surge como um desdobramento e aprofundamento da crítica do valor (Wertkritik), corrente teórica alemã desenvolvida a partir dos anos 1980 por autores como Robert Kurz e, posteriormente, Moishe Postone.
Enquanto a crítica do valor já representava uma ruptura com o marxismo tradicional ao focar não na luta de classes ou na exploração, mas sim nas próprias categorias fundamentais da sociedade capitalista – mercadoria, trabalho abstrato e a forma-valor –, a crítica do valor-dissociação, sistematizada principalmente por Roswitha Scholz, adiciona uma camada fundamental a essa análise.
O ponto de partida é a constatação de que a sociedade do capital não se estrutura apenas pela lógica abstrata do valor, mas por um processo complementar e indispensável de dissociação.
Segundo essa perspectiva, a esfera do valor – associada ao trabalho abstrato, à racionalidade, à produção industrial e à esfera pública – não poderia existir sem a contrapartida de um polo “dissociado”. Esse polo abrange todas as atividades e atributos que, embora essenciais para a reprodução social, não são diretamente subsumíveis à lógica da valorização do capital: o trabalho doméstico e de cuidado, a afetividade, a emoção e a corporeidade.
A teoria do valor-dissociação demonstra que essa esfera inferiorizada é histórica e simbolicamente atribuída às mulheres, constituindo a base material do que se convencionou chamar de patriarcado.
Não se trata de um resquício pré-capitalista, mas de uma estrutura intrinsecamente ligada à modernidade capitalista, formando um “patriarcado produtor-de-mercadorias” (warenproduzierendes Patriarchat). Assim, a forma-valor é inerentemente “cindida” ou “dissociada” do seu outro, que a complementa e a torna possível.
É nesse ponto que a crítica do valor-dissociação se distingue tanto da política identitária quanto do marxismo tradicional. A crítica não visa resgatar a parte “negada” da sociedade, mas sim superar a própria lógica binária que separa valor e dissociação como dois polos complementares de uma mesma totalidade social fetichista.
Paralelamente, a crítica do valor-dissociação também se opõe a uma visão que enxerga a dinâmica social como uma simples oposição entre exploradores (capitalistas) e explorados (trabalhadores).
Para essa corrente, a crítica não pode se limitar a denunciar a injustiça na distribuição da riqueza ou a opressão de uma classe sobre outra, pois isso permaneceria no âmbito da própria lógica do valor (o trabalho como fonte de riqueza, a busca por uma distribuição mais justa do mais-valor).
A teoria do valor-dissociação radicaliza a crítica ao mostrar que tanto o “trabalhador” (sujeito da produção de valor) quanto a “dona de casa” (sujeito da esfera dissociada) são posições igualmente determinadas pelas formas sociais fetichistas do capitalismo.
A emancipação, portanto, não viria da libertação do trabalho (através da tomada do poder pela classe trabalhadora), mas sim da libertação em relação ao trabalho abstrato e à própria cisão societal que o constitui.
Desde seu lançamento, o texto de Roswitha Scholz tem aberto um campo frutífero de debate. Não à toa, a obra está há anos esgotada. Mas, para nossa felicidade, a Editora Elefante empreendeu o justo resgate da obra. Agora, acompanhada de um prefácio, a segunda edição foi ampliada com um extenso posfácio que reflete criticamente sobre as tendências feministas na década após a primeira edição do livro.
SOBRE ROSWITHA SCHOLZ
Roswitha Scholz nasceu em Nuremberg, Alemanha, em 1959. É cofundadora da revista exit! Krise und Kritik der Warengesellschaft [exit! Crise e crítica da sociedade das mercadorias], dedicada à circulação de textos da teoria crítica do valor (Wertkritik). É autora de Differenzen der Krise — Krise der Differenzen: die neue Gesellschaftskritik im globalen Zeitalter und der Zusammenhang von “Rasse”, Klasse, Geschlecht und postmoderner Individualisierung [Diferenças da crise — crise das diferenças: a nova crítica social na era global e a conexão entre “raça”, classe, gênero e individualização pós-moderna] (Horlemann, 2005), de Homo sacer e os ciganos: o anticiganismo — reflexões sobre uma variante essencial e por isso esquecida do racismo moderno (Antígona, 2004) e de diversos artigos sobre feminismo, teoria crítica do valor, marxismo e relações de gênero na modernidade/pós-modernidade.
Em parceria com a Editora Elefante, Outras Palavras irá sortear um exemplar de O sexo do capitalismo: teorias feministas e a metamorfose pós-moderna do patriarcado, da filósofa Roswitha Scholz, entre quem apoia nosso jornalismo de profundidade e de perspectiva pós-capitalista. O sorteio estará aberto para inscrições até a segunda-feira do dia 23/3, às 14h. Os membros da rede Outros Quinhentos receberão o formulário de participação via e-mail no boletim enviado para quem contribui. Cadastre-se em nosso Apoia.se para ter acesso!
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