Publicado em: 1 de junho de 2026

Esse post foi criado pelo Esquerda Online.

CréditoComunicação/MEL
mel manifesto fascismo

Mulheres de várias partes do mundo comprometidas com a democracia e os direitos humanos assinam o Manifesto Internacional contra o Fascimo 26. Este documento foi escrito pela primeira vez em 2018 e tem uma segunda edição atualizada que foi apresentada no dia 31 de maio, no final do 2º Festival MEL – Mulheres em Luta, que aconteceu em São Paulo.

O documento traduzido para quatro idioma – português, inglês, espanhol e francês, conta com assinatura de Sueli Carneiro (Brasil), Asma Mhalla (Tunísia) Scholastique Mukasonga (Ruanda), Leopoldina Fortunati ( Itália), Jana Silverman ( Estado Unidos), Joana Mortágua ( Portugal), Verónica Gago ( Argentina), entre outras ativistas. A iniciativa e elaboração do texto foi articulada entre os mandatos da Bancada Feminista do PSOL, o Instituto E Se Fosse Você?, e Movimento Mulheres em Lutas (MEL), fundados por Manuela d’Ávila, Simone Nascimento coordenadora do Movimento Negro Unificado e codeputada estadual da Bancada Feminsta do PSOL e pela direção Nacional de Mulheres do Semear.

“Essa articulação nasce para enfrentar o neofascismo latente em 2026. Além disso, vem para fortalecer a solidariedade internacional entre mulheres, abrindo caminho para a construção de uma internacional feminista em 2027”, afirma Simone Nascimento codeputada da Bancada Feminista do PSOL e uma das autoras do Manifesto.

Documento completo:

MANIFESTO INTERNACIONAL MULHERES CONTRA O FASCISMO

Festival MEL – Mulheres em Luta – São Paulo, 31 de maio de 2026

Hoje, desde o chão vivo do Festival MEL – Mulheres em Lutas, em maio de 2026, erguemos uma voz coletiva que atravessa fronteiras, idiomas e territórios. Somos muitas. Somos diversas. E unidas, somos uma força histórica em movimento.

Desde esse encontro sediado no Brasil, onde acabamos de viver o trimestre mais feminicida do século XXI, nos levantamos!

Nos levantamos pois nas palavras do imperialismo norte americano as “brasileiras são programadas para criar confusão”. E assim, chamamos as mulheres de todo o mundo, trabalhadoras, de todos os povos explorados e oprimidos, de todas identidades de gênero, sexualidades e de todas as idades, a se reconhecerem como aquilo que verdadeiramente somos na prática: um cordão sanitário global contra o fascismo.

Estamos vivendo uma nova etapa da crise global do capitalismo. Depois da pandemia, em meio a guerras, do aprofundamento da emergência climática e da explosão das desigualdades, o sistema tenta reorganizar sua dominação através do autoritarismo, do militarismo, do racismo, da misoginia e da exploração extrema da vida e da natureza.

O fascismo não é apenas uma memória do passado. Ele se reorganiza no presente. Avança por meio de projetos autoritários explícitos, mas também se infiltra nas instituições democráticas, capturando o voto, manipulando o medo e promovendo políticas de ódio em aliança e articulação corporativa com os donos das big techs.

O fascismo do nosso tempo alimenta-se do negacionismo científico, do racismo, da misoginia, da violência de gênero, da LGBTfobia, do fundamentalismo religioso, da destruição dos direitos sociais e do planeta. É o projeto do ódio, das guerras e da morte.

Cresce em uma ofensiva global contra os direitos sexuais e reprodutivos, contra a autonomia dos nossos corpos-território e contra as políticas de igualdade de gênero e sexualidade.

Cresce em uma ofensiva global contra os direitos sexuais e reprodutivos, contra a autonomia dos nossos corpos-território e contra as políticas de igualdade de gênero e sexualidade. Tenta impor um retrocesso civilizatório, buscando nos empurrar ao silêncio e à submissão. Questionam, agora, até o nosso direito ao voto.

Mas nós não aceitaremos. Responderemos com organização, com solidariedade internacional e com luta!

No mundo todo mulheres têm sido linha de frente das resistências, demonstrando que a mobilização feminista é capaz de alterar os rumos da história. Desde a “Women’s March”, “Ele Não”, “Non Una Meno”, quase uma década depois, em 2026, os protestos “No Kings” nos EUA mostram a resistência dos trabalhadores contra Trump. No Brasil, sob o mote da “Marcha das Mulheres Negras, por reparação e bem-viver”, “Marcha das Mulheres Indígenas” e “Levante Mulheres Vivas”, milhares denunciaram o aumento da violência contra mulher e os discursos misóginos. Da resistência Palestina, de mães contra o genocídio de suas crianças e famílias. Da voz do Congo, onde mulheres seguem tendo seus corpos violados em meio aos conflitos. Em Cuba, onde a solidariedade internacional denuncia o bloqueio econômico. Da Argentina, onde a repressão atinge os protestos de rua contra reformas autoritárias. Nos ensinam: quando as mulheres e a classe trabalhadora se levantam, o fascismo recua.

Inspiradas por um feminismo internacionalista, popular, antirracista, e democrático, como afirmam os movimentos globais que articulam a luta contra as violências, as desigualdades e a exploração, declaramos:

Não aceitaremos que o medo governe nossas vidas.
Não aceitaremos que nossos corpos sejam territórios de controle.
Não aceitaremos que a democracia seja capturada para destruir direitos.
Assumimos, portanto, uma tarefa histórica:
Ser o muro que impede o avanço do autoritarismo.
Ser a rede que protege a vida.
Ser a força que reorganiza a esperança.

Convocamos a construção de uma ampla frente feminista internacinal, suprapartidária, enraizada nos movimentos sociais, articulada aos encontros e redes históricas de cada região e comprometida com a democracia, para enfrentar o fascismo em todas as suas formas: nas ruas, nas redes, nas instituições e nos territórios.

Convocamos a construção de uma ampla frente feminista internacinal, suprapartidária, enraizada nos movimentos sociais, articulada aos encontros e redes históricas de cada região e comprometida com a democracia, para enfrentar o fascismo em todas as suas formas: nas ruas, nas redes, nas instituições e nos territórios.

Que cada país levante suas mulheres.
Que cada território construa sua resistência.
Que cada luta local se reconheça como parte de uma batalha global.
Porque somos nós que sustentamos a vida.
E será com a nossa força organizada que derrotaremos o fascismo.
Sem as mulheres não há Democracia!
Rumo a Internacional Feminista em 2027!

São Paulo, 31 de maio de 2026.

ASSINAM:
Sueli Carneiro Geledés, Brasil
Amelinha Teles União de Mulheres, Brasil
Manuela D’Avila Jornalista, fundadora do Instituto E Se Fosse Você e idealizadora do Movimento Mulheres em Lutas (MEL), Brasil
Simone Nascimento Movimento Negro Unificado, Brasil
Naiara Leite Marcha das Mulheres Negras Por Reparação e Bem Viver, Brasil
Rachel Ripani Levante Mulheres Vivas, Brasil
Sonia Guajajara Ex-Ministra dos Povos Indígenas e Deputada Federal, Brasil.
Anielle Franco Ex-Ministra da Igualdade Racial, Brasil
Paula Nunes Bancada Feminista do PSOL, Brasil
Taliria Petrone Deputada Federal, Brasil
Sâmia Bonfim Deputada Federal, Brasil
Carolina Iara Intersexo Brasil, Brasil
Bianca Santana Jornalista e escritora, Brasil
Lina Marçal movimento de mulheres do Curdistão na América Latina, Curdistão
Eli Gomez Alcorta Advogada, Argentina
Verónica Gago Ni Una Menos, Argentina
Luci Cavallero Ni Una Menos, Argentina
Dayana Pérez Fornelli Representante Nacional – FA, Uruguai
Inés Cortes Diputada Nacional – Uruguai
Paola Cabezas Castillo Asambleísta Nacional de la Revolución Ciudadana, Equador
Gabriela Rivadeneira Burbano Presidenta Movimiento Revolución Ciudadana, Equador
Antonia Orellana Representante Nacional, Frente Amplio, Chile
Irina Karamanos Adrian Internacional Feminista, Chile
Consuela Veloso Avila Diputada de La República do Chile
Jana Silverman Professora de Relações Internacionais e Co-coordenadora do Comite Internacional, Democratic Socialists of America Estados Unidos
Joana Mortágua Bloco de Esquerda, Portugal
Susanne Schultz socióloga, Alemanha
Hilde Hellbernd Magistra Public Health, Alemanha
Leopoldina Fortunati Itália
Scholastique Mukasonga Ruanda
Asma Mahlla Tunísia