O capitalismo está destruindo toda a vida no planeta. A absurda concentração de renda mata milhões de pessoas de fome e só se mantém por meio da opressão, das igrejas e da guerra. Mulheres são as que mais sofrem e são maioria entre as pessoas mais pobres

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Publicado em: 14 de julho de 2025

Michael Roberts

Esquerda Online

Todos os anos, publico uma postagem sobre a desigualdade da riqueza global utilizando os dados anuais compilados por economistas que trabalham no Banco Suíço Credit Suisse. Mas o Credit Suisse não existe mais, destruído por escândalos e a crise bancária de 2023. O outro grande banco suíço, o UBS, assumiu o controle dos ativos do CS e, agora, produz seu próprio relatório anual sobre a riqueza global. Não é tão claro e útil como eram os do CS, mas, mesmo assim, ainda produz uma pirâmide da riqueza global, como abaixo.


Número de adultos (1% do total da amostra) em cada faixa em 2024

A pirâmide da riqueza demonstra que apenas 60 milhões de adultos, ou apenas 1,6% de todos os adultos do mundo, possuem uma riqueza pessoal líquida de 226 trilhões de dólares, ou 48,1% de toda a riqueza pessoal mundial. No outro extremo, 1,55 bilhões de adultos (cerca de 40% dos adultos do mundo) têm somente 2,7 trilhões de dólares, ou apenas 0,6% de toda a riqueza pessoal do mundo. Esse resultado se aproxima da estimativa do World Inequality Lab, que concluiu que 50% de toda a população mundial (não apenas os adultos) possuem somente 0,9% da riqueza pessoal total.

Participação na riqueza pessoal líquida dos 50%

E que o 1% do topo da população mundial tem cerca de 42% de toda a riqueza pessoal, a mesma porcentagem de 1995.


Participação na riqueza pessoal líquida do 1%

De fato, se acrescentarmos o nível intermediário de detentores de riqueza na pirâmide do UBS, verifica-se que 3,1 bilhões de adultos (ou 82% de todos os adultos) possuem uma riqueza pessoal de cerca de 59 trilhões de dólares, ou somente 12,7% da riqueza pessoal global total. Os outros 87,3% pertencem a apenas 688 milhões de adultos, ou seja, apenas 18,2% do número total de adultos no mundo (3,8 bilhões). No topo da pirâmide, há 2,891 bilionários de dólares no mundo, com apenas 31 adultos tendo uma fortuna de mais de 50 bilhões de dólares cada.

Em 2024, a riqueza pessoal teve um crescimento mais acentuado na Europa Oriental (ainda que em um patamar baixo) e na América do Norte, mas decaiu na América Latina, Europa Oriental e Oceania (Austrália etc.). O patrimônio familiar médio na Grã-Bretanha caiu 3,6% em 2024, a segunda maior queda entre as grandes economias.


Alteração na riqueza pessoal total entre 2023 e 2024 em dólares (média ponderada por tamanho da população)

O aumento na América do Norte ocorreu principalmente devido ao aumento do valor das ações e dos títulos para os muito ricos. Globalmente, o patrimônio financeiro total deu um salto de 6,2%, enquanto o patrimônio não financeiro (propriedades) cresceu somente 1,7%. A média da riqueza pessoal por adulto na América do Norte é quase seis vezes maior do que na China, 12 vezes maior do que na Europa Oriental e quase 20 vezes maior que na América Latina.


Comparação da riqueza média por adulto em dólares no final de 2024 ao redor das regiões e subregiões do mundo

Segundo o relatório do UBS, a extrema desigualdade de riqueza pessoal em um nível global piorou (ainda que ligeiramente) desde o início do século XXI. A África do Sul pós-apartheid permanece no topo da liga mundial da desigualdade de riqueza, medida pelo coeficiente de Gini para a desigualdade, seguida, como sempre, pelo Brasil. E esse Índice de Gini piorou significativamente durante a Longa Depressão desde 2008. Nas economias capitalistas avançadas, a Suécia demonstrou a distribuição mais desigual de riqueza pessoal, algo que pode surpreender aqueles que elogiam a Escandinávia social-democrata. Os EUA são tão desiguais quanto a Suécia.

Lembre-se que são medidas de riqueza, ou seja, a propriedade líquida de riquezas por cada adulto em um nível global. A pirâmide não é uma medida da desigualdade de renda pessoal. Mas descobri em análises anteriores que a riqueza e a renda estão intimamente relacionadas. Existe uma correlação positiva de cerca de 0,38 entre riqueza e renda; em outras palavras, quanto maior a desigualdade de riqueza pessoal em uma economia, maior a probabilidade de a desigualdade de renda ser maior.

Relação entre a riqueza e a desigualdade de renda

Analistas da desigualdade como Gabriel Zucmand e Saez ecoam a perspectiva de Marx quando dizem que “a tributação progressiva da renda não pode resolver todas as nossas injustiças. Mas se a história servir de guia, pode nos ajudar a colocar o país na direção certa […]. Democracia ou plutocracia: essa é, fundamentalmente, a razão de ser das alíquotas máximas de impostos”. Dito isso, a causa da elevada e crescente desigualdade está no próprio processo de acumulação de capital. Não é principalmente a falta de taxação progressiva das rendas ou a falta de um imposto sobre a riqueza; ou até mesmo a falta de intervenção para lidar com os paraísos fiscais. Tais medidas políticas certamente contribuíram para reduzir a desigualdade e gerar a tão necessária receita para o governo. Porém, se a renda do capital antes dos impostos (lucros, aluguéis e juros) continuar a crescer às custas da renda do trabalho (salários), haverá uma tendência interna de aumento de desigualdade. E se o capital continua a acumular, então aqueles que possuem a maior parte dele ficarão mais ricos, em comparação com aqueles que não possuem capital. O crescimento da desigualdade global não será revertida por uma redistribuição de riqueza ou renda somente por meio da taxação. Isso exigirá uma reestruturação completa da propriedade e do controle dos meios de produção e dos recursos globalmente.

Originalmente publicado em Just 1.6% of all world’s adults own 48.1% of all the world’s personal wealth
Tradução de Paulo Duque, do Esquerda Online

fonte: https://esquerdaonline.com.br/2025/07/14/apenas-16-de-todos-os-adultos-do-mundo-detem-481-de-toda-a-riqueza-pessoal-mundial/

Por que há mais mulheres que homens pobres no mundo?

Apesar de alguns avanços, não há nenhum país no mundo que garanta igualdade econômica entre homens e mulheres

07/03/2017
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A desigualdade de gênero é uma das formas da desigualdade mais antigas e profundas do mundo. Priva as mulheres de ter voz própria, desvaloriza seu trabalho e as coloca em situação de desvantagem frente aos homens, tanto no ambiente domiciliar como em escala nacional e mundial. 

Apesar de alguns avanços importantes nos últimos anos, não há nenhum país no mundo em que a exista igualdade econômica entre homens e mulheres. E são as mulheres que estão mais vulneráveis a viver na pobreza.

Salários baixos – Em todo o mundo, a diferença salarial entre homens e mulheres é de 23%. No ritmo atual, será necessário um período de 170 anos para eliminar essa diferença. Hoje, existem 700 milhões de mulheres a menos do que homens com trabalho remunerado. 

Ausência de empregos dignos – 75% das mulheres que vivem em regiões em desenvolvimento trabalham sem contrato formal, carecem de direitos e não possuem acesso à seguridade social. O pouco salário que recebem também não as permite sair da pobreza. Estima-se que 600 milhões das mulheres estejam nas formas mais inseguras e precárias de trabalho. 

Trabalhos domésticos não remunerados – As mulheres assumem entre duas e dez vezes mais o trabalho não remunerado que os homens, como tarefas domésticas e cuidado com as crianças. Estima-se que esse trabalho contribua para a economia mundial o equivalente a 10 bilhões de dólares ao ano (mais de 12% do PIB mundial). 

Jornadas de trabalho mais longas – As mulheres trabalham mais horas no dia que os homens quando somados os trabalhos remunerado e não remunerado. Dessa forma, nos dias atuais, uma jovem trabalhará, em média, 4 anos a mais que um homem ao longo de sua vida. 

Igualdade econômica e redução da pobreza

Calcula-se que a desigualdade econômica de gênero custe 9 bilhões de dólares ao ano aos países em desenvolvimento. Este montante não daria apenas maior poder aquisitivos às mulheres, mas também beneficiaria seus familiares e comunidades e patrocinaria um enorme impulso para o conjunto da economia. 

Os países que apresentam uma maior igualdade de gênero geralmente têm maior nível de investimentos. Dados empíricos de vários países e regiões indicam que a redução do fosso que separa homens e mulheres leva, consequentemente, à redução da pobreza. Na América Latina, por exemplo, o aumento do número mulheres em trabalhos remunerados entre 2000 e 2010 foi responsável por cerca de 30% da redução da pobreza em geral e da desigualdade de renda. 

Para garantir os direitos das mulheres, reduzir a pobreza e cumprir com os objetivos de desenvolvimento, é fundamental apoiar o acesso das mulheres a trabalhos com uma condição digna e melhores meios de vida. O empoderamento econômico das mulheres é um elemento fundamental a ser realizado. Necessitamos de uma economia humana que beneficie tanto homens como mulheres, e que esteja a serviço de todas as pessoas, não apenas das elites. 

fonte: https://www.oxfam.org.br/noticias/por-que-ha-mais-mulheres-que-homens-pobres-no-mundo/